O Irão assina um acordo para a cooperação com os Estados Unidos para o desenvolvimento de energia nuclear com fins civis, no quadro do projeto "Átomos pela Paz," em 1957. Graças ao acordo, assinado entre Washington e um Irão governado pelo Xá Mohammad Reza Pahlavi, muito próximo do Ocidente e amistoso com Israel, a universidade da capital trabalha, pela primeira vez, com um reator nuclear.
Em 1970, o Irão assina mesmo o Tratado de Não Proliferação Nuclear e coopera com a Agência Internacional, numa década marcada pelo desenvolvimento de projetos, sempre na Universidade de Teerão. Mas a Revolução Islâmica de 1979, que depôs Xá, obrigou à suspensão dos projetos. A guerra com o Iraque, entre 1980 e 1988, agravou a situação, até porque consumiu vários recursos e era uma prioridade para os Aiatolás.
Nos anos noventa, o Irão, potência hostil aos EUA, com quem não tem relações diplomáticas, e que rejeita a existência de Israel, recupera dos anos da guerra com o Iraque. Teerão aproxima-se de potências regionais que disputam influencias regionais com Washington, como a China e a índia e compra-lhes armamento e tecnologia, que depois vai aperfeiçoando ao longo dos anos. São anos de apreensão, de Washington a Telavive, passando pelo bloco europeu.
O Plano Amad
É que, no final dos anos oitenta, Israel tinha criado o chamado "Plano Amad," cujo objetivo era o desenvolvimento de pelo menos cinco armas nucleares. Mas, apesar do desenvolvimento armamentístico, o Irão precisa de urânio e de plutónio.
Os esforços feitos pela República Islâmica acabam por ser denunciados pelos opositores do Conselho Nacional da Resistência do Irão, que se opõe ao governo dos aiatolás. Em 2002, grupo revela a existência de instalações nucleares em Natanz e em Arak - onde os iranianos desenvolvem água pesada. Isso significa que poderiam criar bombas nucleares, ao enriquecer urânio e plutónio.
Um ano mais tarde, os Estados Unidos, sob a Administração de Bush filho, invadem o Iraque e Teerão aproxima-se da Agência Internacional de Energía Atómica. São declaradas várias instalações nucleares e Teerão diz ter suspendido o Plano Amad. Mas há instalações ainda desconhecidas, que continuam a enriquecer urânio, como a unidade subterrânea de Fordow, que seria descoberta em 2009.
O Pacto de Viena de 2015
Os anos que se seguem são de crise entre o irão e o Ocidente. Em 2011, um relatório da AIEA-ONU diz que há motivos para preocupação, já que Teerão estaria, mais uma vez, mais perto de desenvolver armas nucleares. Em 2015, depois de anos de negociações, há fumo branco na capital austríaca. Os iranianos assinam o chamado Plano de Ação Conjunta Global com os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e com a Alemanha. Os iranianos encaram o futuro com alguma esperança, até porque a assinatura do Pacto de Viena permite algum alívio às sanções, que estrangulam uma economia de joelhos.
Em 2018, Donald Trump decide, durante o primeiro mandato, abandonar, de forma unilateral, o tratado assinado com o Irão, para júbilo de Benjamin Netanyahu. Há muitos anos que o Primeiro-ministro de Israel diz que o Governo islâmico iraniano não pode ter em seu poder a arma atómica, já que apresenta uma ameaça existencial ao Estado de Israel.
2025 - Novas negociações e conflito com o Irão
O Irão responde com um distanciamento do Ocidente, da agência nuclear da ONU e do grupo do Conselho de Segurança mais Alemanha. E continua a enriquecer urânio, a níveis acima do acordado em Viena. Não há entendimentos durante o mandato de Joe Biden e é apenas com o regresso de Trump à Casa Branca, que começam novas conversações, para que o Irão volte ao caminho da cooperação, num espírito de um pacto abandonado pelo mesmo Presidente com quem os iranianos devem negociar.
As negociações começaram em abril, mas foram interrompidas depois dos ataques israelitas em junho, das retaliações dos iranianos e da intervenção do exército dos Estados Unidos.