Em «Momento Certo», conhecemos a história de Goreti, uma mulher cuja vida dava um filme. Mas um filme revoltante. Onde aqueles que deviam ter o condão da proteção se tornam os vilões. Na lotaria da vida, Goreti calhou com uns pais que se revelaram o maior pesadelo de qualquer filho. Recorda-se de enrolar o irmão Diogo, mais novo, num lençol branco para que o pai não o visse. E, assim, poupá-lo aos maus-tratos. O mesmo lençol que o pai usava para abusar sexualmente dela. Goreti tinha 5 anos. Era uma criança, mas a inocência há muito que tinha dado lugar ao sofrimento. Os progenitores, chamemos-lhe assim, pois pai é outra coisa… os progenitores de Goreti eram ambos toxicodependentes e obrigavam a filha a ir pedir para a rua para sustentarem o vício. Enviavam-na descalça. Chegaram até a fazer-lhe golpes nos pés, para que ficasse com feridas e as pessoas tivessem mais pena e contribuíssem com uma esmola maior. Já lhe disse há pouco que esta mulher teve de crescer rápido demais. E a verdade é que assistiu a coisas que nenhuma criança devia sequer sonhar serem possíveis. Viu a mãe prostituir-se e foi até drogada pelo pai, numa festa de adultos lá em casa. No meio desta miséria de valores, era a tia, Maria Goretti que lhe tentava dar algum afeto. Alguma prova de que a humanidade é mais e melhor do que ela conhecia dentro de quatro paredes.